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Dicas Especiais

Segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Berne

O berne, também conhecido como dermatobiose, nada mais é do que uma parasitose causada pela fase larval da mosca Dermatobia hominis, levando a miíase nodular ou furuncular, caracterizada pela formação de nódulos no hospedeiro com a presença de uma ou mais larva em seu interior. A Dermatobia encontra-se espalhada por toda a América e possui grande prevalência no Brasil, estando distribuída em quase todos os estados, e podendo parasitar diversos vertebrados, incluindo o homem. Uma particularidade dessas moscas é que elas não depositam os ovos diretamente nos animais, mas utiliza-se de outras moscas que carregam os ovos até o animal (moscas foréticas).

Trata-se de uma parasitose de grande importância econômica, uma vez que as larvas são biontófagas, ou seja, se alimentam de tecidos vivos causando lesões ulcerativas e resposta inflamatória local. Assim, os prejuízos estão ligados à desvalorização do couro devido ao número de lesões, a irritação e a dor à qual os animais são submetidos e que leva a uma queda na produção de leite e de carne bem como no desenvolvimento. Estima-se que bovinos parasitados por berne tenham uma queda no ganho de peso de 9 a 14% do total e de 18 a 25% de queda na produção leiteira.

A intensidade do número de nódulos no bovino depende de diversos fatores predisponentes, entre eles:

  • Raça: animais com grande porcentagem de sangue zebuíno tendem a possuir uma maior resistência ao berne quando comparados a animais taurinos. 
  • Pelagem: animais de pelagem escura possuem um maior número de nódulos de berne quando comparados a animais com pelagem clara. Isso se deve principalmente ao fato de que animais com pelagem escura retêm mais calor, o que favorece o desenvolvimento do berne.
  • Sazonalidade: as larvas tendem a deixar os seus hospedeiros principalmente em épocas do ano com alta temperatura e umidade, ou seja, durante a primavera e o verão, e é nessa mesma época que ocorre um aumento do número de moscas. A maior ocorrência do berne em períodos chuvosos, por outro lado, está correlacionada com as condições climáticas favoráveis ao ciclo da mosca e de seus foréticos, pois em solos demasiadamente secos as pupas não se desenvolvem.
  • Cobertura vegetal: a Dermatobia hominis tem como seu ambiente de escolha as áreas de mata, local onde encontra temperatura e sombreamento adequado a seu desenvolvimento. Animais criados em pastagens próximas a florestas e a matas fechadas são mais susceptíveis a presença de berne do que animais criados em pastagens afastadas de matas. 

A mosca do berne é um inseto de tamanho médio, apresenta a cabeça de coloração amarela e o tórax azul esverdeado, possui hábitos diurnos e costuma localizar-se em região de mata fechada. Sua oviposição necessita de outra mosca que possa transportar os ovos, esses animais devem ter hábitos diurnos, um tamanho menor ou igual a D.hominis e não podem ser muito ativos, assim, entre as principais moscas foréticas, temos a Stomoxys calcitrans e a Musca domestica. As regiões corpóreas com maior prevalência de nódulos larvais são os membros anteriores, a barbela, região escapular, costado e pescoço.

O começo do ciclo se dá em dias quentes quando os animais procuram por abrigo para se proteger do sol e do calor e são atacados pelas moscas vetores. A infestação dos mamíferos tem início quando os foréticos pousam e se alimentam do hospedeiro por tempo o suficiente para que as larvas sintam o calor da pele e a alta concentração de gás carbônico exalado pelo hospedeiro, eclodam dos ovos e migrem para a pele, penetrando-a ativamente. Uma vez dentro da pele do hospedeiro a larva irá se desenvolver até o estágio de pupa, de preferencia em locais úmidos e protegidos. O período pupal acontece sob influência de temperatura e umidade, é durante este período que ocorrerá a metamorfose da qual resultará o adulto, que estará apto a copular e dar início ao ciclo novamente.

Diferente de outras parasitoses o diagnóstico do berne é feito apenas através da observação de lesões nodulares com a presença de larvas em seu interior. Essas larvas tendem a provocar lesões ulcerativas, danificando o tecido subcutâneo e consequentemente a pele do animal, assim haverá uma resposta inflamatória local, como defesa do próprio organismo. Dependendo do grau de infestação, essas lesões podem se tornar abertas e de extensões variadas, com a presença de secreções purulentas e muitas vezes com sangue.

O pecuarista tem a opção de fazer o controle do berne associado ao tratamento de outras parasitoses. Sendo que, nestes casos, devem ser usados produtos que tenham a ação sobre diversos tipos de parasitas ao mesmo tempo. O mais indicado para o tratamento do berne é o tratamento local, no próprio animal. Esse tratamento baseia-se principalmente no uso de piretróides e avermectinas.

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